sábado, 23 de junho de 2012

Foi golo?

Vive-se o frenesim habitual. Chegada a hora todos têm pressa, todos querem passar. Lá vão eles, lá vou eu também. Seria um fim de tarde igual a qualquer outro, em hora de ponta em Lisboa, não fosse jogar a selecção portuguesa. Bato o pé na calça à espera do transporte que tarda em vir. Ah lá vem! Eu vou. Cheguei!Já passavam uns minutos do inicio do jogo mas ainda tinha muitos mais pela frente.
-Já marcámos? - perguntei eu.
-Ainda não! - disse ele. 

É sempre assim, um borbulhar de emoções, um querer com muita força e um "rezar" com mais ainda. De rabo colado ao sofá mas sem conseguir recostar-me. A ansiedade é muita e o corpo balança para a frente e para trás ao ritmo dos avanços e recuos em campo. Agora que me lembro, a maioria das vezes estive chegada para a frente de tronco debruçado sobre as pernas. As mãos, essas não sossegaram até ao golo.
-GOOOOOOOOLOOOOOOOOO!!
Gritos ensurdecedores vieram da rua porque a janela estava aberta! Mas a bola? A bola ainda ia no meio campo! Como é que é possível ser golo de Portugal, os outros já estarem a festejar e na nossa televisão a bola ainda ia no meio campo. Estávamos os três de olhos esbugalhados. Aí a pressão arterial subiu bastante, o Ronaldo voou diante dos nossos olhos e fez golo. Um Goooooooooooooooooooooloooooooooooo tão merecido!! Um golo que já devia ter sido.

É sempre assim, um borbulhar de emoções!
Desta vez ganhámos e passámos às meias-finais. Como esse povo está feliz...!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fantasia

Era tão bonita essa fantasia. Ela era inconstante e disfarçada em sorrisos misteriosos e em olhares controlados. Era alimentada com demonstrações de interesse e carinho. Trazia consigo uma mescla de ternura e admiração.

E eu, eu nunca deixei de ser a mesma. Continuei o meu caminho com olhos postos no futuro e em tudo aquilo que ele tem para me dar, em tudo aquilo que eu tenho para conquistar. Continuei a transbordar alegria, algo que me caracteriza, entre outras coisas. Não deixei de ser a mesma pessoa que um dia te fascinou. Mas deixei-me fantasiar, foi o meu mal. Continuei o meu caminho mas fiquei sempre aqui, no mesmo sítio, para que me pudesses encontrar quando me procurasses. 

Mas agora não! Abandonei essa linda fantasia. Não a alimentes mais. Não me procures mais. 
Se um dia voltares vais encontrar um lugar vazio. Vazio de mim e de tudo aquilo que tinha para partilhar contigo. Levei comigo o carinho, a ternura, a admiração e tudo o resto. Preenchem-me a vida e não ocupam espaço.


Mas a fantasia... essa abandonei-a.