terça-feira, 31 de julho de 2012

Aaaaaaaiiiii !!!!! que nervosinho que se apodera de mim...! 
Já sei que só tenho de entrar com o pé direito, confiar em mim e dar o meu melhor. Quando assim é a vida encarrega-se de me sorrir.


Figas !!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mariposa

"Sou a mariposa bela e airosa,
que pinta o mundo de cor de rosa,
eu sou um delírio do amor.

Sei que a chuva é grossa, que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar, por favor!"





(Deolinda - Passou por mim e sorriu)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Estado de Sítio

Vivemos num país que perdeu o norte! As mais recentes notícias sobre a contratação de enfermeiros a € 3,96 à hora deixam qualquer um fora de si. E não, isto não se trata apenas de um problema de classes. A verdade é que os enfermeiros são trabalhadores licenciados, grande parte com especializações e pós-graduações, alguns deles até com mestrados e quiçá doutoramentos. Investem na sua formação por conta própria sem nenhuma perspetiva de evolução de carreira ou mesmo a nível salarial. Em condições normais já são mal pagos se pensarmos que ao trabalharem por turnos prejudicam a sua qualidade de vida a médio e longo prazo e também porque são um grupo de risco permanentemente expostos a todo o tipo de bactérias infeciosas. Estes pobres coitados já andam há uns anos a lutar pela igualdade de tratamento salarial uma vez que a lei estipula o salário base de € 1200 (aproximadamente) para qualquer licenciado que trabalhe para a função pública, mas na aplicação da lei os sucessivos Governos insistem em não considerar os enfermeiros. Mas a vergonha dos € 3,96  não é só um problema dos enfermeiros. E não faço esta afirmação por se ter sabido que também os nutricionistas contratados para centros de saúde estão a receber propostas de igual valor. Digo que esta vergonha não é só da conta dos enfermeiros porque se nada se fizer dentro de breve será uma onda generalizada de desconsideração pela formação superior. Somos a geração mais qualificada que este país já viu crescer e simultaneamente os mais mal-tratados! Aqueles que cresceram a ouvir "estuda filho, se queres ser alguém na vida" estudaram. E agora?
Ou está tudo louco ou então sou só eu que não estou formatada para aceitar tamanha barbaridade!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Relações (des)amorosas


Mais tarde ou mais cedo acabamos por perceber que todas as relações são "abertas". Parece ser uma qualidade inalienável, irrevogável de qualquer relação. Para o bem ou para o mal, "não há tranca que segure os deslocamentos da vida".

Um relacionamento tem o seu valor pelo que ele efectivamente é, na sua vivência. É uma parvoíce achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Quem diz rótulo diz uma postura ou uma "proibição", um comportamento imposto. Na hora da verdade se existir algum sentimento retraído ele permanecerá imune a qualquer disfarce (mesmo que não seja manifestado).  Não importa o quão curta é mantida a rédea, se ela tiver de quebrar, quebra. E pelo contrário, se nos permitirmos ser livres, haverá a certeza de que a entrega ao outro é o mais pura possível. A certeza do vínculo é muito maior.

Já ouvir dizer "não tenho margem para erro". Parece que precisam de seguir um modelo de conduta imposto por sabe-se lá quem, para se certificarem de que tudo vai dar certo. Olham para a relação como um projecto, e direccionam-se para atingir o objectivo final em vez de desfrutar a relação.

É normal que se façam esforços para evitar o que possa ser desagradável, mas as pessoas preocupam-se demais em acertar e muito pouco em viver, serem elas próprias sem limitações, desperdiçam o prazer de viver uma relação livre de qualquer condicionalismo. São estas imposições, umas ditadas pela hipocrisia outras pelo parceiro tirano, que estragam logo tudo. Uma pessoa que inicia uma relação já a dizer que não pode errar e inclusive a limitar o seu campo de actuação com outros, está desde logo a dar um tiro no pé. A menos que seja capaz de viver o resto da vida a interpretar um papel. Não se está a permitir "viver". Minha gente, entendam que errar é humano. Achar que podem ser perfeitos ou que um relacionamento é perfeito é viver no mundo da fantasia. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações.

Na ânsia de controlar, colocam o carro à frente dos bois e definem formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitam a exposição ao contacto com o exterior, sem garantias.
 Os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento.

Uma relação é uma comunhão, em que se compartilha com o outro o nosso caminho, espaço, as ideias, sentimentos e momentos, não é uma burocracia, onde se tem de cumprir um roteiro pré-estabelecido (muitas vezes imposto). Daquela forma a relação pode ser vivida com mais leveza. É Preciso entender que o outro é uma pessoa, e que anda pelo mesmo espaço de liberdade que nós temos quando estamos sozinhos, e que uma vez juntos esses espaços de liberdade (de um e de outro), eles deveriam ampliar-se ainda mais e não se restringirem. Mas restringir a liberdade do outro porquê?? Para quê?? Para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda as nossas pequenas expectativas de controlo? Pequenas porque como disse elas são inúteis. Não temos nem nunca teremos poder sobre o outro porque é de uma pessoa que se trata.

"A nossa liberdade acaba quando começa a do outro", sempre ouvi dizer. Quando limitamos a liberdade do outro porque achamos que temos direito a isso, estamos a ser ridículos! Demonstra egoísmo, sentimento de superioridade, tudo menos amor. Isto é achar que o outro é menos que nós.

Ao meu lado quero alguém livre. Livre para se relacionar com quem quer que seja, para sentir o que o coração mandar sentir por quem quer que seja. Livre para estar comigo porque é isso que quer, e livre para ir quando deixar de querer.

terça-feira, 3 de julho de 2012

maré de sorte #3

E já passava das 5 horas da madrugada quando o trabalho ficou finalmente pronto. Aquela excitação toda apoderou-se de mim de tal maneira que parecia que tinha o diabo no corpo. Fazia tudo menos escrever algo de produtivo que me permitisse concluir o trabalho e envia-lo ao professor. Era suposto ser enviado com 24 horas de antecedência para que pudesse ser lido e analisado com atenção e eu estava a enviar apenas a 4 horas da oral. Já não esperava que o trabalho fosse tido como entregue mas ainda assim decidi envia-lo.

Deitei-me para dormir duas horas mas não dormi mais do que uma. Às 6h da manhã ainda a minha cabeça não tinha sossegado das estonteantes notícias do dia. Andava às voltas na cama e dava por mim a imaginar situações e conversas relativas ao estágio. Lá adormeci. Quando o despertador toca às 7h30 o meu primeiro pensamento do dia não foi dedicado à oral que iria fazer foi sim um continuar da excitação do dia anterior. Parecia que tinha tomado speeds e que o efeito ainda não tinha passado, estava eléctrica!

A oral não me correu bem! Certamente arrisquei em mostrar a minha discordância com a posição do regente mas ali ensinam-nos a ter um pensamento critico e essa lição eu aprendi-a bem. Não é suposto seguir uma orientação doutrinária sem perceber porquê. Tanto a divergência como a aceitação têm de ter um fundamento. Não somos máquinas de ler leis, felizmente aquela faculdade forma juristas! Mas tinha de arriscar! Estudei aquela matéria, pensei sobre ela, e cheguei a uma conclusão. Era essa conclusão a que tinha chegado que eu tinha de expor na oral, independentemente de ser diferente da opinião da regência. No entanto, não foi isso que me correu mal, fiquei com a sensação de que, uma de duas, ou não me estavam a entender ou eu não me estava a conseguir explicar. Quando questionavam e criticavam as minha palavras, diziam o mesmo que eu tinha acabado de dizer mas como se tivessem a discordar de mim.. em suma: grande confusão. E quando uma oral termina com «mas obrigado, na mesma, por ter vindo» é certo e sabido que foi em vão.

O J. fez a sua oral de melhoria a seguir a mim. No fim estávamos ambos convictos que não iríamos subir a nota. Eu já estava a recuperar do desalento que senti ao abandonar a sala quando os professores aparecem no corredor e dizem as notas. Subi 2 valores !!!! Boa!! Boa!! Era aquela a nota que queria e menos do que aquilo não me iria satisfazer.


Quando as coisas têm de correr bem, elas correm mesmo. E assim no espaço de dois dias, três boas notícias que justificaram a abertura de uma reserva que o meu pai lá tinha por casa. Ficará sempre na minha memória a cara da mãe e do pai orgulhosos da sua filha já licenciada.




Venham mais dias assim..... !!!! *

maré de sorte #2 - entrevista

Depois de tanta azafama estava já na biblioteca a conseguir alguma concentração para terminar o trabalho escrito para a melhoria do dia seguinte quando o meu telemóvel começa a vibrar. Era um número fixo. Da última vez que atendi um número fixo o assunto era a marcação de uma entrevista para estágio, por isso o coração voltou a acelerar quando atendi a chamada. Era a HR da sociedade. Mais uma boa notícia: ligaram para confirmar a minha disponibilidade para iniciar o estágio. Sim Sim !!! Claro que sim !!!
Mais uma boa notícia! Os dias assim parecem sonhos, dos quais não queremos acordar.

Esta história foi um tanto ao quanto caricata. Para começar, eu que ando sempre com o telemóvel atrás de mim na biblioteca deixei-o em cima da mesa quando fui ter com o J. para ele me passar os livros que tinha estado a consultar. Voltou comigo para me ajudar a carregar tanto calhamaço e ficamos a conversar no corredor, quando a minha querida M., que POR ACASO decidiu naquele dia vir estudar comigo, diz "O teu telefone está a vibrar". Apressei-me para atender. Era um número fixo. Nunca atendo números que não conheço mas agora andava à espera que me telefonassem de um qualquer número que eu não conhecesse em resposta a alguma candidatura. Atendi e era mesmo comigo que queriam falar. A Dr.ª identificou-se e identificou a sociedade, disse que estavam a iniciar o recrutamento e perguntou se ainda estaria interessada ao qual eu respondi afirmativamente. A entrevista ficou marcada para terça às 6h30 da tarde... percebi eu.

Terça feira foi um dia para esquecer de tanta que era a ansiedade. Aquela ansiedade da primeira vez, de querer com todas as forças que corra bem, que gostem de mim, porque dali pode resultar uma excelente oportunidade. Cheguei as 6h10 e quando entro na sala de reuniões a Dr.ª pergunta «Então, o que aconteceu? Não tínhamos combinado para as 4h30?». «NÃO!!!». Boa! Mas que excelente apresentação! A dr.ª deve ter dito 16h30 e eu percebi 6h30... Só a mim é que acontecem destas coisas.. e logo para uma entrevista! Bem, a entrevista lá se fez mas eu não saí do escritório com a sensação de que me tivesse corrido bem. Chegada a casa chorei "baba e ranho". «Porque é que nada me corre bem?» dizia eu.

Alguma vez eu pensava que em menos de 48 horas me ligavam e diziam que me queriam a estagiar com eles na data combinada? E logo teve de ser no dia em que me licenciara. Duas notícias bombásticas que me encheram o dia, e me tiraram o fôlego. Que felicidade!

Quanto ao trabalho, só consegui pegar nele com cabeça lá para a meia noite.

maré de sorte #1

Eu andava inquieta. Não havia meio de sair aquela nota... a única que me faltava saber para ser oficialmente licenciada em Direito. O exame correu bem por isso estava confiante de que passava mas sentia aquele nervoso miudinho de querer saber a nota, o mais rápido possível para poder comemorar.

Na véspera de uma oral de melhoria deixei-me dormir até à hora de almoço. Acho que ainda estava num estado de sonambulismo quando o despertador tocou em cima da secretária. Levantei-me, desliguei o despertador e voltei a deitar-me. Foi totalmente inconsciente, eu nem sequer me lembro de querer voltar para a cama. O cansaço desta meta final já está a pesar, já não me permite dormir apenas 4 horas por noite.



Acordo assustada por perceber que já não são as horas que deveriam ser, que era suposto ser. A intenção de estudar toda a manhã não passou disso mesmo. Dirijo-me ao computador  como tenho feito todos os dias, na esperança da nota já ter sido lançada na nossa página pessoal, e vou preparando o pequeno almoço simultaneamente. Nada. A página ainda não tinha sido actualizada.

Passado 30 minutos voltei ao site da Faculdade. Lá estava ela a sorrir para mim!!! A tão esperada nota de Direito Internacional Privado tinha sido lançada!!! Passei. Significa que a partir deste momento estou licenciada!! Explodi de alegria !! Fiz a festa completa, lancei os foguetes e apanhei as canas. Subi à lua e voltei. Depois fiquei desorientada durante umas 3 horas seguidas.

Esperei muito por este momento. Trabalhei muito, dediquei-me, esforcei-me e empenhei-me como se da minha vida se tratasse. É da minha vida que se trata, de facto. É o sonho de uma vida, e é toda uma vida pela frente que anseia pela continuação de todo este esforço e empenho numa carreira que eu só consigo ver Brilhante !