Mais tarde ou mais cedo acabamos por
perceber que todas as relações são "abertas". Parece ser uma
qualidade inalienável, irrevogável de qualquer relação. Para o bem ou para o
mal, "não há tranca que segure os deslocamentos da vida".
Um relacionamento tem o seu valor pelo que
ele efectivamente é, na sua vivência. É uma parvoíce achar que um
rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Quem diz rótulo diz uma
postura ou uma "proibição", um comportamento imposto. Na hora da verdade
se existir algum sentimento retraído ele permanecerá imune a qualquer disfarce
(mesmo que não seja manifestado). Não importa o quão curta é mantida a
rédea, se ela tiver de quebrar, quebra. E pelo contrário, se nos permitirmos ser
livres, haverá a certeza de que a entrega ao outro é o mais pura possível. A
certeza do vínculo é muito maior.
Já ouvir dizer "não tenho margem para
erro". Parece que precisam de seguir um modelo de conduta imposto por
sabe-se lá quem, para se certificarem de que tudo vai dar certo. Olham para a
relação como um projecto, e direccionam-se para atingir o objectivo final em
vez de desfrutar a relação.
É normal que se façam esforços para evitar
o que possa ser desagradável, mas as pessoas preocupam-se demais em acertar e
muito pouco em viver, serem elas próprias sem limitações, desperdiçam o prazer
de viver uma relação livre de qualquer condicionalismo. São estas imposições,
umas ditadas pela hipocrisia outras pelo parceiro tirano, que estragam logo
tudo. Uma pessoa que inicia uma relação já a dizer que não pode errar e
inclusive a limitar o seu campo de actuação com outros, está desde logo a dar
um tiro no pé. A menos que seja capaz de viver o resto da vida a interpretar um
papel. Não se está a permitir "viver". Minha gente, entendam que
errar é humano. Achar que podem ser perfeitos ou que um relacionamento é
perfeito é viver no mundo da fantasia. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações.
Na ânsia de controlar, colocam o carro à frente dos bois e definem formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitam a exposição ao contacto com o exterior, sem garantias. Os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento.
Uma relação é uma comunhão, em que se compartilha com o outro o nosso caminho, espaço, as ideias, sentimentos e momentos, não é uma burocracia, onde se tem de cumprir um roteiro pré-estabelecido (muitas vezes imposto). Daquela forma a relação pode ser vivida com mais leveza. É Preciso entender que o outro é uma pessoa, e que anda pelo mesmo espaço de liberdade que nós temos quando estamos sozinhos, e que uma vez juntos esses espaços de liberdade (de um e de outro), eles deveriam ampliar-se ainda mais e não se restringirem. Mas restringir a liberdade do outro porquê?? Para quê?? Para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda as nossas pequenas expectativas de controlo? Pequenas porque como disse elas são inúteis. Não temos nem nunca teremos poder sobre o outro porque é de uma pessoa que se trata.
"A nossa liberdade acaba quando começa a do outro", sempre ouvi dizer. Quando limitamos a liberdade do outro porque achamos que temos direito a isso, estamos a ser ridículos! Demonstra egoísmo, sentimento de superioridade, tudo menos amor. Isto é achar que o outro é menos que nós.
Ao meu lado quero alguém livre. Livre para se relacionar com quem quer que seja, para sentir o que o coração mandar sentir por quem quer que seja. Livre para estar comigo porque é isso que quer, e livre para ir quando deixar de querer.

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