Depois de tanta azafama estava já na biblioteca a conseguir alguma concentração para terminar o trabalho escrito para a melhoria do dia seguinte quando o meu telemóvel começa a vibrar. Era um número fixo. Da última vez que atendi um número fixo o assunto era a marcação de uma entrevista para estágio, por isso o coração voltou a acelerar quando atendi a chamada. Era a HR da sociedade. Mais uma boa notícia: ligaram para confirmar a minha disponibilidade para iniciar o estágio. Sim Sim !!! Claro que sim !!!
Mais uma boa notícia! Os dias assim parecem sonhos, dos quais não queremos acordar.
Esta história foi um tanto ao quanto caricata. Para começar, eu que ando sempre com o telemóvel atrás de mim na biblioteca deixei-o em cima da mesa quando fui ter com o J. para ele me passar os livros que tinha estado a consultar. Voltou comigo para me ajudar a carregar tanto calhamaço e ficamos a conversar no corredor, quando a minha querida M., que POR ACASO decidiu naquele dia vir estudar comigo, diz "O teu telefone está a vibrar". Apressei-me para atender. Era um número fixo. Nunca atendo números que não conheço mas agora andava à espera que me telefonassem de um qualquer número que eu não conhecesse em resposta a alguma candidatura. Atendi e era mesmo comigo que queriam falar. A Dr.ª identificou-se e identificou a sociedade, disse que estavam a iniciar o recrutamento e perguntou se ainda estaria interessada ao qual eu respondi afirmativamente. A entrevista ficou marcada para terça às 6h30 da tarde... percebi eu.
Terça feira foi um dia para esquecer de tanta que era a ansiedade. Aquela ansiedade da primeira vez, de querer com todas as forças que corra bem, que gostem de mim, porque dali pode resultar uma excelente oportunidade. Cheguei as 6h10 e quando entro na sala de reuniões a Dr.ª pergunta «Então, o que aconteceu? Não tínhamos combinado para as 4h30?». «NÃO!!!». Boa! Mas que excelente apresentação! A dr.ª deve ter dito 16h30 e eu percebi 6h30... Só a mim é que acontecem destas coisas.. e logo para uma entrevista! Bem, a entrevista lá se fez mas eu não saí do escritório com a sensação de que me tivesse corrido bem. Chegada a casa chorei "baba e ranho". «Porque é que nada me corre bem?» dizia eu.
Alguma vez eu pensava que em menos de 48 horas me ligavam e diziam que me queriam a estagiar com eles na data combinada? E logo teve de ser no dia em que me licenciara. Duas notícias bombásticas que me encheram o dia, e me tiraram o fôlego. Que felicidade!
Quanto ao trabalho, só consegui pegar nele com cabeça lá para a meia noite.
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